segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Homenagem a Nairson Menezes, grande comunicador sergipano

Fotos: arquivo Infonet.

Homenagem a Nairson Menezes, grande comunicador sergipano, que nos deixou em 26/05/2012.

Nairson Menezes – Idealizador da TV Sergipe.

“Há cerca de dois anos, o idealizador da TV Sergipe, afiliada da Rede Globo no Estado, lutava contra as complicações ocasionadas pelo Mal de Alzheimer. Segundo informações de familiares, após uma crise ele foi hospitalizado e acabou contraindo uma pneumonia, da qual não conseguiu se recuperar.
Nairson trabalhou como apresentador em emissoras de TV em São Paulo e Salvador (BA) na década de 60. Visionário, ele idealizou a instalação de uma emissora em Sergipe e apesar das dificuldades para conseguir investidores, não desistiu e foi às ruas pedir a ajuda da população. Assim surgiram os primeiros acionistas da TV Sergipe, que foram conquistados pelo sonho do comunicador, que realizava algumas demonstrações da grande invenção nos calçadões do Centro de Aracaju.

Depois de mobilizar a população, grupos de empresários decidiram investir na idéia e o sonho de Nairson Menezes começou a tomar forma e um tempo depois se transformou em realidade. Hoje, quarenta anos depois a TV Sergipe continua fazendo história, investindo em tecnologia e qualidade, para levar aos sergipanos a melhor programação.

De acordo com Fábio Carneiro, assessor de comunicação da TV Sergipe, a história da emissora se funde com a do comunicador. “Foi através da idéia deste grande profissional que hoje a TV Sergipe é uma empresa consolidada pelo mercado e por seus telespectadores. Nairson Menezes transformou seu sonho em realidade e contou também com a ajuda de um grupo de empresários, que assim como ele, acreditaram na força deste meio de comunicação”, disse.

O visionário foi também responsável por implantar as primeiras agências de publicidade em Sergipe. “Ele foi um homem a frente do seu tempo. Com uma criatividade e capacidade de realizações incomparáveis. Como publicitário também fez história, através dos comerciais que produzia e campanhas até para políticos e governadores no início do mercado de comunicação no Estado”, destacou Selma Almeida, esposa de Nairson.
Além disso, atuou em diversas emissoras de rádio na capital baiana e também em solo sergipano. Muitos comunicadores consagrados no Estado, foram incentivados por Nairson Menezes. É o caso do ex-radialista e hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Reinaldo Moura.

“Iniciei minha carreira enquanto radialista na companhia de Nairson na então Rádio Difusora de Sergipe, hoje conhecida como Fundação Aperipê. Foi assim que uma grande amizade surgiu e logo após ele se mudou para São Paulo, onde atuou na Rádio Bandeirantes, e por diversas vezes que fui à capital paulista nós nos encontramos. Um tempo depois, ele retornou a Sergipe onde trabalhou novamente na Difusora. Foi convidado a atuar na Bahia e lá novamente tivemos a oportunidade de trabalharmos junto e até dividirmos um apartamento. Sempre tive muita admiração por ele, na minha opinião Nairson tinha a voz mais bonita do rádio e sem dúvidas era o profissional mais bem preparado de Sergipe”, afirmou o conselheiro.”

Nairson Menezes faleceu no sábado dia 26/05/2012 em Aracaju e foi sepultado no final da manhã deste domingo (27/05/2012), no Cemitério São Benedito, no Bairro Santo Antônio em Aracaju (SE). Ele morreu aos 76 anos de idade.

“O comunicador faleceu na noite do sábado dia 26/05/2012, com falência múltipla dos órgãos. Ele já estava com a saúde debilitada desde que sofreu uma queda por causa de um acidente vascular cerebral (AVC) há três meses. Desde então, Nairson, que também sofria de Alzheimer, deu entradas constantes no hospital.

Bastante emocionados, familiares acompanharam de perto o sepultamento sob muita comoção. No sepultamento, muitos amigos estiveram presentes no cemitério para a última despedida e fizeram questão de destacar a importância do legado deixado pelo publicitário.

Presente no sepultamento, o conselheiro do Tribunal de Contas, Reinaldo Moura, lamentou a perda de Nairson Menezes. “Eu particularmente acho que além de ter perdido um amigo, o rádio sergipano perdeu a voz mais bonita de todo o estado, o profissional mais competente que eu conheci até agora", afirma.

Outro amigo do publicitário, o jornalista Pascoal Maynard, fez questão de ressaltar sobre a amizade entre eles e as qualidades do grande companheiro. “Nairson foi um grande amigo, sempre presente. Eu tive algumas experiências profissionais com o Nairson, que muito me ajudou na minha profissão quando nós produzimos e dirigimos muitos comerciais, na época para empresas construtoras e mercado imobiliário da época. Nairson era uma pessoa inteligentíssima, muito competente, correto, uma pessoa muito dedicada a sua profissão e aos amigos. Nairson era isso, um profissional de excelência e um amigo”.

O jornalista Evandro Ferreira também falou do incentivo a comunicação do estado feita pelo publicitário. “Ele foi um incentivador nos meios de comunicação. Aqui foi o incentivador da implantação da TV Sergipe e do mercado publicitário. Nossos atuais publicitários passaram pelas mãos dele. Eu acompanhei o trabalho dele durante esses 40 anos e sei que ele foi um grande marco na vida da comunicação de Sergipe", conta.

Nairson Menezes deixa esposa, dois filhos e quatro netos.

Fonte: infonet.com.br/cidade
Texto reproduzido do site: camposdojordao1340.com.br

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Irineu Fontes o Cirineu da Televisão Sergipana.

Foto reproduzida do Facebook/Neu Fontes.


No início da década de 60, Irineu Fontes, então representante de rádios e radiolas, viaja a São Paulo e vê de perto a revolução que a televisão causa na vida da cidade e das pessoas.

Ao retornar a Aracaju, Irineu conversa com o prefeito da capital na época, Godofredo Diniz, que fica entusiasmado com o que ouve e libera uma verba para a compra de antena. Começa a nascer o embrião da televisão em Sergipe.

A antena repetidora é, então, montada no morro do urubu, zona norte da cidade. O poder irradiante é pequeno e o sinal que chega, da TV Jornal do Comércio, de Recife, em Pernambuco, não era dos melhores. Mas é suficiente para encantar os poucos privilegiados que possuem um aparelho de TV comprado na loja a Curvelo.

Foto e texto reproduzidos do Facebook/Neu Fontes.

terça-feira, 29 de abril de 2014

A História da TV Sergipe

 Início da construção da TV Sergipe (Foto: Arquivo).

 Empresários que fundaram a emissora (Foto: Arquivo).

 Primeira torre, no Alto do Morro da TV (Foto: Arquivo).

 Programa de auditório de Nazaré Carvalho (Foto: Arquivo).

 Início do telejornalismo na emissora (Foto: Arquivo).

Transmissão HDTV começou em 2010 (Foto: Arquivo).

Publicado originalmente no site da TV Sergipe.

Mais de quatro décadas de inovação.
Uma emissora criada a partir da coragem e talento do povo sergipano.

No dia 15 de novembro de 1971 eram dados os passos iniciais que fizeram a história da TV Sergipe. Homens e máquinas, em uma conjunção bandeirante no Alto do Morro da TV, no bairro Cidade Nova, na cidade de Aracaju, Sergipe, iniciaram com empenho o trabalho de comunicação televisiva no Estado. Desde então, o conhecimento, o talento e a perseverança de muitos fizeram da TV Sergipe o retrato da nossa gente.

INÍCIO DA TV.

Mas antes do sinal começar a chegar aos lares sergipanos, foi preciso que muitos desbravadores tenham tido a coragem para transformar em realidade o sonho de criar no estado a primeira emissora de televisão.

No início da década de 60, Irineu Fontes, então representante de rádios e radiolas, viaja a São Paulo e vê de perto a revolução que a televisão causa na vida da cidade e das pessoas.
Ao retornar a Aracaju, Irineu conversa com o prefeito da capital na época, Godofredo Diniz, que fica entusiasmado com o que ouve e libera uma verba para a compra de antena. Começa a nascer o embrião da televisão em Sergipe.

A antena repetidora é, então, montada no morro do urubu, zona norte da cidade. O poder irradiante é pequeno e o sinal que chega, da TV Jornal do Comércio, de Recife, em Pernambuco, não era dos melhores. Mas é suficiente para encantar os poucos privilegiados que possuem um aparelho de TV comprado na loja a Curvelo.

IDEALIZADOR.

Nairson Menezes, um sergipano nascido na cidade de Laranjeiras, dono de uma voz possante e cristalina, entra no ramo da comunicação bem cedo. No sul do país, trabalha no rádio, conhece e se encanta pela televisão.

O funcionário da TV Excelsior de São Paulo volta a Sergipe para tentar, em 1959, uma vaga na Assembleia Legislativa. Seu ideal e plataforma de campanha: implantar uma estação de TV em Sergipe.

Nairson não vence, retorna a São Paulo e passa trabalhar ao lado de grandes nomes do teatro e da televisão brasileira. De volta a Sergipe, com a bagagem recheada de conhecimentos, vai em busca de parceria. Encontra no empresário Francisco Pimentel Franco o entusiasmo necessário para a realização do seu grande sonho.

SOCIEDADE ANÔNIMA.

O poder político e econômico do grupo que aposta na ideia é pequeno. Mas, apesar de tudo, os empresários Francisco Pimentel Franco, Josias Passos, Getúlio Passos, José Alves, Hélio Leão, Augusto Santana, Paulo Vasconcelos, Lauro Menezes e Luciano Nascimento não desanimam, estão todos contagiados pelo idealismo de Nairson Menezes, o homem que enxerga a televisão como o caminho perfeito para ajudar no desenvolvimento econômico, político e sociocultural da gente sergipana.

Em um gesto de muita grandeza, os empresários decidem trazer o povo para participar daquele momento histórico. A participação popular foi fundamental: 900 ações foram vendidas em pouco tempo. Assim, a TV Sergipe é a única emissora do país que nasce com a participação popular. Com os recursos em caixa, os empresários partem para escolher o local onde será montada a torre de transmissão.

A TV Sergipe é primeira emissora montada com equipamentos produzidos no Brasil. Na fase de montagem, a emissora recebeu o apoio da Maxwel, empresa nacional que trouxe toda a estrutura necessária para o funcionamento da TV, desde a torre até a câmera de estúdio. E, como não existia mão-de-obra especializada, a saída foi buscar operadores com experiência no rádio e no cinema.

Em 1967 é feita primeira transmissão. No ano de 1968, uma autorização de três meses libera a transmissão do sinal da TV Sergipe. No ano seguinte, os sergipanos podem ver, ao vivo, a chegada do primeiro astronauta à lua. O tricampeonato de futebol conquistado pela seleção brasileira em 1970, no México, é também acompanhado ao vivo pelos sergipanos graças a outra autorização temporária. Com o final da copa, mais uma vez a TV Sergipe sai do ar e retorna no ano seguinte já em fase experimental.

O dia 12 de maio de 1971 marca definitivamente a entrada da Rádio e Televisão de Sergipe na sua fase experimental. Além das apresentações dos artistas, documentários cedidos pelas embaixadas da França e da Alemanha são exibidos na programação.

SONHO VIRA REALIDADE.

O dia 15 de novembro de 1971 entra para a história das comunicações no estado. Nesse dia vai ao ar, pra valer, o sinal da TV Sergipe, a emissora que mudou definitivamente a vida do povo sergipano. Acival Gomes apresenta o primeiro telejornal da emissora. Para brindar os telespectadores, é exibido um show especial do cantor americano Johnny Mathis. Um presente patrocinado pelo primeiro parceiro comercial da emissora, as lojas Huteba.
  
A emissora inicia suas operações como afiliada da Rede Tupi de Televisão. Entra no ar no final da tarde e encerra as transmissões por volta da meia-noite. Além dos programas locais são exibidos noticiários e filmes.

Com a chegada depois da máquina de videoteipe, a grade de programação é modificada e o telespectador passa a acompanhar a exibição de programas e novelas que fazem sucesso no sul do país.

PROGRAMAS DE AUDITÓRIO.

A história da TV Sergipe também é marcada por programas locais que seguem a mesma linha daqueles exibidos no sul do país.

Nelson Souza apresenta o primeiro programa de auditório, ao vivo. José Raimundo Ribeiro, o cabo Zé, apresenta o “Domingo Alegre”. A estreia é empolgante e inusitada. O programa, que deveria ter duas horas, durou mais de seis. O programa tinha de tudo: calouros, gincana, almoço para os artistas e convidados.

O jornalista Hugo Costa deixa a produção do “Domingo Alegre” para apresentar nas tardes de sábado o “Hora H” e “O Show é Você”.

Reinaldo Moura apresenta o “Sábado Geral”, com a banda “Os Vikings”.

Luiz Trindade está á frente do “O Sábado é Nosso”, com “Luletes”, um sucesso na época.

A professora Nazaré Carvalho apresenta o “Clube Júnior”. As crianças são levadas para o estúdio e, ao lado da Tia Nazaré, brincam e se divertem com desenhos animados.

E no final da década de 70, surge o “Tempo de Criança”, com a atriz e jornalista Siomara Madureira. Uma época ainda guardada na memória de muita gente.

TELEJORNALISMO.

A primeira equipe de telejornalismo é montada por Sérgio Gutemberg e outros profissionais vindos do rádio e das redações de jornais. A inexperiência do grupo é superada pela força de vontade.

Antônio Piúga é o pioneiro da cinegrafia no departamento. Um profissional capaz de fazer qualquer coisa para trazer as melhores imagens.

Com a chegada da CP-16, uma câmera que possibilita a gravação do som nos filmes, os repórteres recebem uma recomendação a mais: evitar erros por causa do alto custo da película. Para cumprir a recomendação, os repórteres usam uma técnica infalível. Eles ensaiavam com o entrevistado o que ele ia falar, marcavam o tempo e só depois é que faziam a gravação.

No dia 6 de outubro de 1973, a TV Sergipe deixa a Rede Tupi e se torna afiliada da Rede Globo de Televisão.

VENDA PARA A TV ARATU.

Apesar do esforço de toda equipe, a emissora ainda trabalha de forma amadora, com antigos equipamentos. A Rede Globo exige investimentos na qualificação de pessoal e na compra de novas máquinas.

Diante dessas exigências e das dificuldades financeiras, a sociedade anônima é desfeita e a TV Sergipe é vendida para o grupo Aratu, da Bahia. A compra da emissora fez parte de um projeto audacioso: formar uma rede de televisão no Nordeste.

Os acionistas trazem, além do suporte financeiro, novos equipamentos e a experiência. Todos os setores recebem investimentos. Uma nova torre é montada, um novo transmissor é comprado. Chegam também novas câmeras de estúdio e equipamentos para o jornalismo.

Ângela Abreu é descoberta por acaso e vira apresentadora do “Jornal Hoje” parte local. O “No Campo do Quatro” é o novo programa esportivo, apresentado por César Cabral.

O festival de músicas de carnaval, apresentado pelo irreverente Hilton Lopes, é transmitido ao vivo, direto do teatro Lourival Baptista.

"Gênesis” é o primeiro videoclipe da nossa televisão.

FAMÍLIA FRANCO.

O projeto para a formação de uma rede de televisão no Nordeste, com sede em Salvador, não se concretiza e a TV Sergipe é vendida à família Franco. Com a nova gestão, a emissora não para de crescer. O parque técnico se moderniza e a programação se encaixa, a cada dia, na grade da Rede Globo.

O “TV Mulher” ganha uma versão local, apresentado por Fátima Botto. A TV Globo inaugura o “Bom Dia Brasil” e a TV Sergipe segue o mesmo caminho: cria o Bom Dia Sergipe. Também ganham espaço na programação a edição noturna do “Sergipe Notícias” e o “Bom Dia Interior”, que conta histórias dos municípios.

Nas manhãs de domingo, Mel Almeida apresenta o “Sergipe Rural”, o primeiro programa da televisão local dedicado ao homem e as coisas do campo. Às sextas-feiras, no jornal do meio-dia, o telespectador conhece o roteiro cultural do fim de semana na Agenda da Capital, com Nivaldo Menezes.

O intercâmbio com a Rede Globo permite a qualificação dos profissionais e proporciona momentos inesquecíveis, como a ida do apresentador do Globo Esporte, Hermínio Matos, para cobrir um jogo no Maracanã.

Na gestão do superintendente Augusto César Franco, equipamentos modernos são incorporados ao parque eletrônico e os investimentos são vistos graças a um novo visual na telinha da TV, com a chegada do videografismo.

O núcleo de Rede é montado e o estado passa a freqüentar os noticiários da TV Globo com a contratação da repórter Aline Hungria. O núcleo começa a revelar Sergipe para todo o país.

Em 2001, o esporte também ganha mais espaço com a estreia do programa “Viva Esporte”, aos sábados.

TRANSMISSÃO HDTV.

O tempo passou e a Rádio e Televisão de Sergipe Ltda, que nasceu de um ideal progressista, manteve a sua trajetória de empresa líder de mercado, baseada em princípios éticos e programação de alta qualidade, com a parceria de uma das maiores redes de televisão do mundo, a Rede Globo.

Em 2010, por exemplo, a emissora foi a primeira no estado a produzir, editar e exibir um programa em HDTV, a sigla em inglês que significa “TV de alta definição”. No dia 20 de fevereiro, os sergipanos puderam assistir ao programa Terra Serigy sobre o cânion do rio São Francisco.

Em 2013, no dia do seu aniversário, a emissora emissora inaugura sua cobertura digital via satélite. Com a tecnologia, a emissora vai colocar em uso a primeira retransmissora digital do estado e a segunda do Norte/Nordeste, na cidade de Itabaiana, que vai permitir à cidade serrana e a mais seis municípios sergipanos – Campo do Brito, Moita Bonita, Ribeirópolis, Macambira, São Domingos e Frei Paulo - receber o sinal da TV em HD, com alta qualidade de imagem e som.

Além dos sete municípios que receberão o sinal digital da TV Sergipe a partir do dia 15, já recebem hoje imagem e áudio com alta qualidade as cidade de Aracaju, Areia Branca, Capela, Laranjeiras, Maruim, Malhador, Barra dos Coqueiros, Pirambu, Rosário do Catete, Santa Rosa de Lima, Santo Amaro das Brotas, Siriri, Nossa Senhora das Dores, Japaratuba, Carmópolis, Nossa Senhora do Socorro e São Cristóvão.


Texto e fotos reproduzidos do site: redeglobo.globo.com/se/tvsergipe

sábado, 25 de janeiro de 2014

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Um em cada três assinantes de TV paga só vê a Globo



Publicado por f5.folha, em 17 de janeiro de 2014.

Um em cada três assinantes de TV paga só vê a Globo
Por Ricardo Feltrin.

Ao menos 6 milhões dos cerca de 18 milhões de assinantes da TV paga no Brasil pode estar desperdiçando seu suado dinheirinho todos os meses.

São 6 milhões de assinantes que pagam pacotes mensais que podem custar de R$ 50,00 a R$ 200, dependendo do número de canais que optaram em receber.
  
Mesmo tanta variedade não é capaz de de salvar essas pessoas de seu vício mais arraigado: não conseguir tirar os olhos da Globo.

É isso mesmo, leitores. Um terço dos assinantes da TV paga (33%) nunca, jamais, em hipótese alguma tira da TV Globo. As centenas de outros canais pagos, sejam científicos, educacionais, infantis, de filmes, séries, ação, conspiratórios etc. ficam jogados às traças.

ELEMENTAR, MEU CARO WATSON

Há várias teses para que esse fenômeno de adicção globífera aconteça, mas nenhuma delas cita a qualidade da programação da emissora (acontece que não há essa qualidade alardeada).

PRIMEIRA TESE

A primeira tese fala pura e simplesmente em hábito do telespectador. Por mais de 40 anos as famílias se acostumaram à estrutura ordeira da programação da Globo. O telespectador sabe que ali nunca haverá surpresas. Ligou de tarde? Tá passando filme ou "Vale a Pena Ver de Novo". Ligou à meia-noite? Deve estar passando o Jô. Ah, ligou pela manhã? Então é Ana Maria Braga ou Fátima.

SEGUNDA TESE

A segunda hipótese para que o telespectador permaneça grudado na tela, a despeito de existirem tantos outros canais é o interesse em melhorar a qualidade do sinal. O assinante decide pegar alguma operadora de TV paga somente porque quer ver maior qualidade em seu aparelho. O problema é que junto com o cabo ou onda de satélite vêm um outro sem-número de canais, muitos interessantes. Mas essas pessoas só estão interessadas mesmo é na faixa de novelas.

TERCEIRA TESE

Sabe-se que as classes C e D foram duas das que mais fizeram pacotes de TV por assinatura desde 2008. Nesse caso, em parte, a força estimuladora para que uma família pobre ou necessitada tire da boca para pagar um pacote basiquinho de TV por assinatura é bem mais compreensível e humano: o vizinho, que é mais pobre ainda, exibe orgulhoso sua antena de TV paga, virada para o norte, no topo de sua casa. Eu também quero uma, diz a família que não a tem.

Texto reproduzido do site: f5.folha.uol.com.br/