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Texto compartilhado do site LEITURA FÍLMICA, de 26 de março de 2021
O Império dos Sentidos
Título Original: Ai no korida
Ano de Lançamento: 1976
Categoria: Cult, Drama, Romance
Avaliação: ★★★★★★★★★★9/10
Crítica de Eduardo Kaneco
Quem assiste a O Império dos Sentidos nunca se esquece dele. A princípio, pode-se argumentar que o motivo disso são suas cenas de sexo explícito, mas isso não é correto. Afinal, muitas pessoas consomem muitos filmes pornôs e eles logo se perdem na memória. O que Nagisa Oshima criou aqui foi uma obra de arte contundente que não tem medo de mostrar sexo e violência gráfica.
Para começar, a história retratada no filme é chocante – mais ainda quando descobrimos que se baseia em acontecimentos reais. Em meados da década de 1930, a ex-prostituta Sada tem um caso com o seu patrão Kichizo. Com o tempo, ela fica cada vez mais obcecada pelo sexo dele. Insaciável, ela não consegue ficar distante do seu pênis, e eles chegam a passar vários dias sem nem sair da cama. Logo, Sada fica tão possessiva que passamos a prenunciar uma inevitável tragédia, ainda mais quando o casal inclui elementos sádicos nas transas. Então, a tragédia acontece, e é surpreendente.
Toda a mise-en-scène de O Império dos Sentidos é belíssima, comprovando que se trata de uma produção caprichada. A fotografia se destaca com a predominância de cores quentes, que se alinham à alta temperatura do relacionamento do casal central. Aliás, os belos atores são Tatsuya Fuji, que fazia carreira em filmes B de ação, e Eiko Matsuda, que já tinha experiência em produções de sexploitation.
Cenas explícitas
Sinceramente, quando nos deparamos com cenas de sexo explícito num filme que não é pornográfico, sentimos uma forte surpresa. Por exemplo, podemos citar as felações em O Diabo no Corpo (1986), de Marco Bellocchio, e em Rainha de Copas (2019), de May el-Toukhy. De fato, isso acontece também em O Império dos Sentidos, mas apenas nas primeiras vezes que as testemunhamos. Afinal, elas continuam por todo o filme. Então, para nos manter impressionados, Nagisa Oshima vai sobrepondo camadas cada vez mais ousadas.
Assim, ele começa com o pênis ereto, passa pela nudez frontal feminina, e chega à penetração. Posteriormente, insere cenas que já fogem do cotidiano. Por exemplo, uma gueixa novata sendo iniciada com um brinquedo inserido em sua vagina, bem como alimentos que Sada “tempera” em seu sexo antes de servir ao amante, que responde inserindo um ovo cozido dentro dela. Além disso, há o sexo com uma mulher idosa, e o final hediondo. O diretor Oshima é talentoso, e acentua as imagens mais chocantes com planos detalhes precisamente planejados.
Apesar de invadirmos o limite do extremo, assistimos a tudo isso compreendendo que se trata de uma evolução doentia da obsessão dos personagens pelo sexo, impulsionada pelo protagonismo de Sada. Assim, a razão vai perdendo espaço para a loucura. Nesse processo, a moral desaparece, tal como prova o sonho em que Sada pega no pênis de um menino de uns três anos de idade.
Como resultado, é impossível não ser impactado por O Império dos Sentidos. Definitivamente, um filme que nos prende enquanto o vemos, por mais difícil que seja de digerir, e do qual sempre nos lembraremos.
Ficha técnica:
O Império dos Sentidos (Ai no korida) 1976. Japão/França. 102 min. Direção e roteiro: Nagisa Oshima. Elenco: Tatsuya Fuji, Eiko Matsuda, Aoi Nakajima, Yasuko Matsui, Meika Seri.
Conheça também: O Império da Paixão (1978)
Texto reproduzido do site: leiturafilmica.com.br







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